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  • Projeto TEAR

Antes de falar, a gente canta.


É incontestável que a arte faz parte da nossa vida. Antes de andar, a gente dança, antes de escrever, a gente desenha, e assim que um bebê começa a emitir os primeiros sons, ele canta. Então, o que nos faz tão distante da arte quando crescemos?


Estar inseridos num ambiente de uma Unidade de Internação, com adolescentes, nos fez questionar que lugar a arte toma na nossa vida à medida que vamos nos tornando adultos. Principalmente na vida desses, que desde muito cedo adquirem responsabilidades de homem crescido, na maioria das vezes tendo que sustentar uma casa, tomando o lugar do pai (ausente).


Desde o primeiro dia de oficina nos surpreendemos com uma turma aberta e disponível. O teatro às sextas feiras eram, muitas vezes, a única atividade que eles tinham na semana. Então quando chegavamos encontravamos uma turma sedenta por informação e movimentação. E assim, o Teatro do Oprimido foi aos poucos ganhando espaço entre esses jovens que experimentavam em sua maioria o teatro pela primeira vez. Foram apenas doze semanas, alguns se foram e novos chegaram, mas as transformações foram imensas: descobrimos que aquele que não fala escreve muito bem. Que aquele que não pára pra respirar é um ótimo observador e contador de história. Que aquele que implica com todo mundo esconde uma profunda doçura ali. Compartilhamos histórias. Compartilhamos nossos medos. Descobrimos novos sonhos, e compartilhamos esses sonhos. Trocamos olhares, toques e lágrimas. Nos tornamos mais humanos graças à sensibilidade desses meninos. Eles são a prova de que a arte não nos abandona à medida que crescemos. A arte permanece ali. Só é preciso des-cobrí-la.


A arte transmuta. Esses adolescentes não serão mais os mesmos. E nós também não. Dali levam(os) algo único para cada um de nós. Algo que, por mais que eu tente, é impossível colocar em palavras.

De minha parte, me sinto orgulhosa de ter estado ali – do lado de dentro – e torço para que carreguem - para o lado de fora – todo potencial que vejo em cada um deles. Pois daqui, eu carrego toda potência e força que eles me passaram.


Por Roberta Rangel

Patrocínio: FAC - Fundo de Apoio à Cultura do DF

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