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  • Projeto TEAR

Como o Teatro do Oprimido entrou na minha vida

Updated: Nov 18, 2019

Nesse relato gostaria de falar um pouco sobre como o Teatro do Oprimido entrou na minha vida. Fiz faculdade de Artes Cênicas junto com Luciana, Carlos, Tiago e Roberta na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Foi um período onde estávamos descobrindo inúmeras linguagens, técnicas e métodos teatrais . Nesse período talvez um pouco antes foi quando iniciamos nossa trajetória juntos na Estupenda. Algumas vezes na Faculdade eu participava de algumas experiências com cenas fórum, mas eu ainda não havia feito nenhuma oficina do TO, mesmo sabendo de sua potência. Nosso primeiro projeto patrocinado via fomento governamental foi o Aqui tem acolá também, um projeto que circulava nas escolas das zonas rurais levando um espetáculo teatral e um projeto de formação de platéia. Uma das contrapartidas do projeto era uma oficina de teatro do oprimido para capacitar professores da rede pública. Eu deixei a atriz e produtora de lado e fui capacitada pelos meus amigos e sócios Carlos e Luciana que já tinham vasta experiência com o TO sendo formados pelos curingas de Augusto Boal. Me lembro que havia poucos participantes mas que fiquei maravilhada com o sentimento de liberdade que me tomava na sala.


Continuei a estudar, participei de mais fóruns, na estupenda desenvolvíamos cada vez mais projetos conectados ao TO , os resultados positivos dos participantes das oficinas eram visíveis. Dentro da minha trajetória no Teatro do Oprimido uma outra experiência muito bacana foi com a Helen nossa consultora no projeto Tear, curinga do CTO (centro de teatro do oprimido) durante anos. Participei de uma oficina sobre Teatro do Invisível no próprio CTO. Na construção da cena eu acabei sendo a personagem que sofreria a opressão o tema era machismo, abuso contra mulher. A cena aconteceu na lapa em um bar , eu dançava samba com um vestido curto e dois outros participantes tentavam me forçar a ficar com eles. Eu gritei e expus o abuso sofrido, com a intenção de gerar esse dialogo ao redor do ambiente. Ao final da cena, ouvi muitas agressões verbais só por estar de vestido, de homens e mulheres, ouvi algumas palavras de carinho de algumas mulheres e poucos homens que se aproximaram para me ajudar pediram meu telefone. No Teatro do Invisível as pessoas ao redor não sabem que é uma cena pensam ser um acontecimento da vida. Ao final da experiência fui andando pelas ruas da Lapa até o CTO que era nosso ponto de encontro com um misto de sensações, eu chorava, ria, foi avassalador . Caminhava e sentia a opressão na minha pele, meus pensamentos mergulhados nas relações de opressão e na liberdade que o TO propunha.


Alana Ferrigno

Patrocínio: FAC - Fundo de Apoio à Cultura do DF

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